O Guardião das sete chaves - capítulo II





















Por Leandro Barcellos
Michael cresceu sob o jugo dos treinamentos terríveis aplicados pelo seu pai, um general poderoso e respeitado pela guarda da cidade. Michael tinha apenas dez anos quando encarou sua primeira missão mortal e ele não decepcionou.

         Largado pelo seu próprio pai, o menino aprendeu coisas que nenhuma criança comum aprenderia em sua idade. Em uma floresta escura, ele fora deixado à mercê de feras selvagens. O jovem filho do general carregava uma pequena bolsa de mantimentos com equipamentos úteis para a sobrevivência e duas adagas que o ajudariam em possíveis ataques, ele sobreviveu sem dificuldades e encarou a face perigosa da natureza.

         O pai de Michael poderia ser um general louco, mas seus ensinamentos surtiram efeito, conseguiu dar origem a um guerreiro frio e competente. Na adolescência, o filho do general já era um guarda da cidade, sua função era ficar de posto no portão com outros guardas experientes. Em uma de suas rotineiras observações sobre a cidade, um ataque sombrio mudou sua vida.

         Michael viu exército de demônios devastando seu povo, roubando ouro das casas de seus vizinhos, viu ossos sendo dilacerados e sua vida sendo massacrada por cenas infames. As chamas negras do ódio se postaram diante de Michael e um dos senhores das trevas mostrou sua face para o jovem guarda.

         - Ai está a marionete de mil anos – disse o ser sombrio – você seguirá o caminho inacabado dos mares e servirá ao inferno.

         - Quem é você? - disse Michael incrédulo com tamanha imponência do tal ser – o que… o que essas pessoas fizeram para você? Qual o motivo de assassinar por puro prazer?

         - Nem sempre o centro da verdade existe, meu pequeno guerreiro – profanou o líder dos demônios – a minha satisfação é ver a loucura nos rostos humanos, queimando suas peles diante do poder da minha horda. Olhe para sua cara de espanto, o medo que eu trouxe para seus habitantes. Isso é esplêndido.

         Michael se sentiu impotente, não podia atacar aquele ser altamente poderoso.

         - Eu me vingarei! - prometeu Michael – me diga o seu nome, para eu condená-lo.
         - Eu sou o comandante da legião do inferno, o dono dos oitenta espectros da morte – disse o demônio mestre – sou Belial, o general das tropas de Lúcifer.

         Michael fugiu, não sabia o porquê, mas ele tinha certeza que aquele demônio não o atacaria e pouparia sua vida justamente para ele contemplar a morte de seus entes queridos.

         Tudo estava acabado, a cidade, a guarda e até o seu próprio pai. Michael viu o corpo do famoso general que jazia em uma das praças, chorou diante de seu primeiro mestre e prometeu:

         - Vingarei sua morte - disse Michael fechando seus punhos – e a primeira vítima será Belial, o comandante das hordas do inferno.


            A caça feita na noite passada para suprir a quantidade de mantimentos já não era mais farta. Dias antes da viagem os futuros guardiões retomaram o caminho do deserto para trazer comida ao velho Hansen, o portador das relíquias que trancam os sete mares. Hansen entregou as chaves e dedicou a missão para os dois guerreiros.

            - Nossa única esperança é a sua vitória Michael – disse Hansen com seu olhar avoado – mate aquele satã que não nos deixa viver!

            O guerreiro assentiu, assumindo a maior responsabilidade de sua vida.

            Dentro de sua casa, Michael se apressou para a viagem, sabia que aquela missão exigiria muito de seu corpo e de sua mente. O guarda inexperiente da cidade estava esperando do lado de fora, seus equipamentos e suas armas estavam em uma bolsa com perfeita organização.

            - Você até pode ser uma criaturinha insignificante – disse Michael saindo pela porta da frente – mas tenho que admitir, sua organização me causa inveja.

            Ao contrário do guarda, Michael tinha seus equipamentos espalhados em várias bolsas, uma enorme desorganização que em uma batalha poderia custar sua vida.

            - É senhor Kiske – disse o guarda – terei que arrumar as coisas por aqui.
            - Você parece uma mulher, organizado e limpinho, morrerá quando encontrar o primeiro demônio senhor…Deris.

            Depois de ter seus equipamentos arrumados pelo jovem guarda, Michael caminhou rumo à floresta. Ao seu lado estava Andi Deris, o jovem guarda promissor, ele poderia até ter um semblante inofensivo, mas a sua espada carregava um título nobre de vencedor do torneio de espadachins de sua cidade, a cidade de Helloween.

            Michael e Hansen haviam vencido esse torneio em tempos atrás – Hansen além de vencedor era o criador do torneio – e os três homens carregavam a nobre missão de trancar os sete mares, guardados por poderosos demônios que dominaram essas terras em eras mitológicas.

            O solo da floresta era confortável e valorizava a caminhada, pássaros cantarolavam belas sinfonias e o ar puro simbolizava a tranquilidade. As filas de árvores pareciam interruptas, a maioria delas eram enormes pinheiros com copas fechadas, suas folhas refletiam o brilho do sol iluminando o caminho.

            Um percurso calmo em uma missão de tamanha proporção seria uma armadilha, pelo menos era assim que Michael raciocinava, qualquer barulho proveniente de animais da floresta era um alarme.

            - Você precisa ficar um pouco mais calmo – objetivou o jovem Deris – primeiro contemplamos a bonança, para quando estivermos de frente à escuridão, lembrarmos de como o mundo é belo e lutaremos pela justiça.

            Michael se calou e seguiu o percurso iluminado pelo astro imponente, as palavras daquele mísero guarda estavam borbulhando em seus ouvidos e martelavam os pensamentos do experiente guerreiro.

            Ele concordou, O jovem guarda tinha razão. A justificativa de lutar pela paz estava centrada nessa filosofia, só há luta por um ideal quando se sabe que esse ideal é o melhor. O prazer de viver em uma guerra é saber que o seu lado tem esperanças de vencer, mesmo que morra, a sua morte foi por uma razão maior que a vida. A paz reina eterna e soberana sobre a vida de qualquer mortal.

            O caminho luminoso dos guerreiros começou a estreitar, as árvores ficavam cada vez mais altas e o brilho do sol desaparecia, a cada passo dado a escuridão era presente. Até que Michael viu uma pequena cratera negra em sua frente, traços desconhecidos manchavam os troncos das árvores com uma tinta púrpura. Michael e Deris pausaram o progresso e analisaram o teor das manchas.

            - O que é isso? – perguntou Deris curioso.
            - Isso são sinais – respondeu o experiente guerreiro – vista sua armadura gasta depois das lutas, segure sua espada, você está deixando a luz. Fique preparado, pois os senhores das trevas estão próximos, eles estarão vigiando o nosso caminho, então seja cauteloso, silencioso e atento.

            A pausa acabou, a cratera foi ultrapassada e os nobres aventureiros adentraram a face negra da floresta. Michael pode logo perceber que a cor das folhas estava se transformando, o verde vivo dava lugar ao lilás tenebroso que a parte negra da floresta possuía.

            - Por Deus que reside no céu – disse Deris tremendo diante da floresta – que lugar terrível!

            Michael nada falou, seguiu o seu caminho que se transformava em enorme escuridão. Os aventureiros começaram a ouvir sussurros que vinham das copas das árvores, o guerreiro girou em volta do seu próprio corpo, mas seus olhos não concordavam com a sua mente.

 - Estou ficando louco! – bradou Michael desembainhando sua espada – a cor da natureza mudou, tudo agora é banhando pelo ódio.

            Deris concordou.
            - Estou perplexo.

            A floresta largava o seu aspecto vivo e amistoso, toda forma natural estava completamente acobertada pelo mal. Michael e Andi seguiam caminhos duvidosos, encruzilhadas apareciam constantemente e confundiam cada vez mais a cabeça dos futuros guardiões.

            - O que faremos? – perguntou Deris – se continuarmos, vamos ficar sem rumo e nos perder nessa floresta negra.

            - Precisamos de mais sinais – argumentou Michael – temos que lembrar das palavras de Hansen, o que ele nos aconselhou?

            Michael rapidamente se lembrou: Tomem cuidado com o mar do ódio e do pecado, ou todas as pessoas do mundo esquecerão quem elas foram um dia.

           
- Ele disse para tomarmos cuidado com o mar do ódio e do pecado – concluiu Kiske – ainda não consigo associar essa informação com as encruzilhadas que encontramos.

            - Eu acho que consigo – disse Andi – o pecado do ódio está ligado com o chefe dos oitenta espectros da morte. Belial é um dos doze juízes do inferno e comanda o exército de lúcifer, para ter uma ligação vívida com a potestade, basta se enfurecer por algo totalmente banal e cometer atrocidades em nome de seu sentimento, as chamas do inferno se inflamarão e Belial terá mais um aliado.

            O corpo do experiente guerreiro estremeceu-se, Michael teve seus joelhos dobrados e caiu em prantos. O choro do guerreiro não transparecia tristeza ou nostalgia, Michael chorava de raiva, de ódio e alimentava o principal sentimento de Belial.

            - Ele...Ele é o demônio mais terrível que existe! – bradou Michael – só me tornei um guerreiro frio e imperdoável por ver o que Belial é capaz.
 - Do que você está falando?

            - Tempos atrás uma horda de demônios invadiu minha terra natal, eu consegui me refugiar em um dos abrigos da guarda local e pude presenciar o cenário de horror que Belial protagonizou – explicou Kiske – quando tudo parecia acabado o maldito conseguiu me encontrar, disse em sua voz enferrujada que eu não conhecia o centro da verdade e fazia aquilo por puro prazer.

            Uma encruzilhada estava no caminho dos aventureiros e uma das passagens deu lugar às chamas.

            - Vamos! – disse Deris – você iluminou o caminho, mas saiba, provavelmente a força do demônio está aumentando, temos que ser eficientes e alcançar o mar do ódio o mais rápido possível.

            Os fragmentos de caminhos que desviavam o curso dos guerreiros começaram a se dissipar, algumas árvores de cor púrpura sumiram, eram ilusões criadas para não encontrar o destino do misterioso mar. Michael deixou o seu emocional estável, se o seu companheiro tivesse certo, ele prejudicaria a missão com seus sentimentos importunos.

            - Estou melhor – disse Michael – eu nunca tinha ouvido o nome desse demônio depois da atrocidade, acho que foi um deslize emocional.
 - Entendo.

            Andi abraçou o seu novo amigo e o caminho continuou. Depois de um tempo o ar começou a ficar mais denso, o cheiro também sem modificou, pedaços de lama eram atraídos para os corpos dos dois guerreiros.

            - O que é isso? - perguntou Deris.
            - Não tenho a mínima ideia! - respondeu seu companheiro.

            Era difícil continuar o destino, as lamas atrapalhavam o caminhar e o suor frio corria pelo rosto. Michael pegou uma pequena faca em sua bolsa de mantimentos e tentou se desvencilhar da gosma podre, mas tudo aquilo fora produzido por magia.

            Eles ouviram risadas e alguns olhos vermelhos estremeceram por trás da névoa negra. Rapidamente os guerreiros desembainharam suas espadas, Andi colocou seu escudo em seu punho. A primeira provação estava diante dos guardiões.

            - Não interrompa o nosso caminho! - disse Michael de forma autoritária.
            - Seus tolos – respondeu um dos inimigos – Os sete mares estão muito longe dessa floresta, localizados no vale do pó, com calor e agitação.

            Finalmente o inimigo mostrou sua face, era um pequeno Goblin com seis olhos, ele possuía uma armadura de couro com um saiote que cobria suas partes intimas. Outros Globins semelhantes apareceram nos galhos das árvores e repetiram:

            - Os sete mares estão muito longe dessa floresta, localizados no vale do pó, com calor e agitação.
            Michael iniciou o combate, brandiu sua arma para atacar o primeiro Globin que havia se apresentando, mas foi em vão. A velocidade da pequena criatura era enorme.

  Depois do ataque sem sucesso o anão zombou do nobre guerreiro.

            - Piada! Somos os anões da falsidade, não vamos morrer tão facilmente.
            - Verdade – disse outro – vocês vão morrer aqui dentro dessa floresta e vão direto para o acampamento do mestre.

             Michael não entendeu o que o anão dissera.

            - Acampamento do mestre? – perguntou Kiske para o jovem guarda.
            - É o nome do lugar onde os subordinados de Belial residem.

            A raiva de Kiske voltou, ele nunca aceitaria ser um subordinado do demônio que devastou sua vila. A sua lâmina zuniu e foi de encontro ao corpo do primeiro Goblin, dessa vez ele não evitou o poderoso golpe de Michael, seu corpo foi partido ao meio.

            - Agora vão embora! - praguejou o guerreiro – caso não saiam do nosso caminho, matarei um por um.

            Michael e Deris seguiram o caminho e ignoraram os goblins, mas as criaturas jogaram lama nas costas dos aventureiros. Nada aconteceu e os Goblins ficaram espantados.

            - Nosso golpe não faz efeito algum – disse um deles.
            - A magia das mãos de Hansen – lembrou o guarda – ela está afetando o golpe desses malditos anões.

            Guiados pelo feitiço das mãos do velho Hansen, os aventureiros finalmente conseguiram despistar os Goblins. O caminho continuou retilíneo, mas a estrada não mudava seu aspecto, apenas o solo ficava mais denso e com pequenas poças de lama ao seu redor.

 - Sinto que aqueles vermes estavam certos – opinou Michael – não estamos indo há lugar algum.
 - Eles eram anões da falsidade – respondeu Andi – vai mesmo acreditar?

             Michael fitou o seu companheiro, ele estava certo de novo e isso deixava o experiente guerreiro possesso.
 - Onde há poças de lama há uma reserva d’água ainda maior – complementou Andi – estamos perto de nosso objetivo.

            Mesmo com palavras de bom grado, a feição de Michael não mudava, ó tédio prolongado pelo guerreiro era um incomodo durante a caminhada. O experiente guerreiro sabia que sua postura estava alterada, ele enfrentaria seu maior pesadelo, enfrentaria aquele ser que destruíra sua vida por puro prazer.

            - Eu não vou quebrar o que foi prometido – bradou Michael – vou honrar a alma do meu pai e selar esse miserável.

            Andi levantou seu rosto sem entender, sabia que seu companheiro estava remoendo sua memória com o seu passado hostil.

            Kiske e Deris decidiram seguir todos os caminhos que possuíam uma maior quantidade de lama, a tática estava dando certo, cada estrada que eles seguiam gerava uma quantidade maior de poças e o conteúdo pastoso foi dando lugar ao liquido gosmento que os encontrava durante o caminho.

            - Estamos cada vez mais próximos – salientou Deris – mantenha sua mente focada no confronto.

            A floresta era macabra, possuía rastros tenebrosos de escuridão, mas nenhum desafio mortal havia aparecido. Michael e Andi caminhavam sobre a proteção da magia do velho Hansen e o círculo mágico corria sobre suas vestimentas.

            - Olhe para o chão – disse Andi apontando um dos seus dedos para os pés de Micahel – isso é água!

            O jovem guarda estava certo, debaixo dos pés de Micahel uma pequena corrente d’água seguia para leste. Eles caminharam junto à corrente até encontrarem um grande vale, o local exalava um cheiro pútrido e o solo estava totalmente negro.

            - Eu acho que chegamos! – disse o guarda com felicidade.

            Mesmo com o nervosismo acentuado, Michael desembainhou sua espada e rumou para dentro do vale. O local possuía pequenas árvores com folhas cinzas e um arvoredo de pinheiros com suas típicas folhas púrpuras, uma pequena descida escondia o principal, um grande lago negro de onde era liberado o odor podre que fora sentido minutos atrás.

            - Enfim, chegamos! – disse Michael – a fúria de Belial nos aguarda.
            Os guardiões desceram o vale e foram de encontro ao lago, bolhas negras eram disparadas para o ar e o odor só aumentava.

            - Essa é a podridão proporcionada pelos demônios?
            - Sim – respondeu uma voz que ecoou pelo céu – eu amo esse cheiro.

  Michael já havia ouvido essa voz, seu punho forçou a base de sua espada, seus dentes rangeram, o guerreiro que um dia fora um jovem guarda e presenciara a carnificina feita em sua cidade estava diante da voz furiosa de Belial, o comandante das hordas demoníacas de Lúcifer.

            O lago podre borbulhou e de dentro da água um ser emergiu para a superfície, era Belial com sua armadura negra e com uma enorme foice em sua mão esquerda.

            - Eu tinha certeza que encontraria nossa marionete novamente – disse o demônio – espero que aproveite o belo aroma do meu mar.

            Michael não conseguia esconder sua raiva e correu para alcançar o terrível demônio. Deris interceptou o avanço de seu companheiro.

 - Você está louco! – disse o jovem – não vê que é exatamente isso que ele deseja? Esse vale é o início para o mar do ódio, esse local é totalmente dominado por Belial.

            - Eu não vou perdoá-lo!
            - Espero que você realmente não o perdoe! – respondeu Deris – mas precisamos de um plano.

            Belial era o comandante dos oitenta espectros da morte, mas ele não estava acompanhando de nenhum dos demônios, seus subordinados não guardavam o mar do ódio. Essa talvez fosse a diferença do comandante de exércitos sombrios para um simples guarda. A função do líder era outra, seu ponto fraco era outro e possivelmente Belial poderia ser um pouco mais vulnerável nessas condições.

            - Vocês suportaram dores que apenas o metal poderia resistir! – disse Belial – estou admirado com a garra e a coragem de meros humanos.

            - Obrigado – objetivou Michael com uma calma fora do comum – seguimos esse caminho com tranquilidade e benevolência.

            Belial suspirou, não acreditou que uma única dupla de guerreiros poderia suportar sua floresta maligna.
            - Como? – perguntou a potestade – minha floresta negra é o percurso mais sombrio que existe!
            - Pode ter certeza que ela não é! – disse Michael mantendo a calma – a paz reina soberana no corpo natural dessa floresta.

            Belial atacou os dois aventureiros, Andi Deris levantou seu escudo e protegeu seu amigo.
            - Estamos calmos, esse local é lindo! – disse Michael.

            Logo o jovem guarda percebeu que Michael arquitetara um plano magnífico para enfrentar Belial, a batalha de influências é a principal premissa do inferno para dominar os humanos. Cada sentimento ruim inflama as chamas negras da escuridão e assim os demônios conseguem almas penadas para o sofrimento, mas com redenção e amor ao criador o processo de influencias do mal é danificado.

            Michael estava no caminho certo, ele tinha consciência que sua raiva alimentaria o poder de Belial, e então o guerreiro decidiu se postar de maneira amigável e serena, evidenciando o sentimento que contrapõe o ódio.

            - Estou em Paz comigo mesmo – disse Michael irritando seu algoz – nada pode me tirar desse meu estado de espírito.

            Michael cruzou suas pernas e sentou, rezando e chamando o nome do Deus vivo. Belial atacou mais vezes, porém Deris defendeu sem temor.

            - Estamos realmente maravilhados com esse lugar – disse Deris ajudando na tática de seu companheiro – Belial, mostre para nós a beleza do ódio.

 - O ódio não é belo! - insistiu o demônio.
 - Então nos mostre algo belo!

            Belial sorriu, Andi não tinha acertado na provocação.
            - Mostrarei a face da morte! - berrou Belial.

  A armadura negra do demônio se desprendeu do mar e voou pelo ar podre, a foice disparou para um golpe fatal, Michael e Deris se afastaram, mas os golpes eram perigosos e contínuos.

            - Eu poupei sua vida miserável uma vez, agora eu não a pouparei.

            Belial estava contaminado pelo seu próprio sentimento, O monstro lançava sua foice contra os guardiões sem se preocupar com a sua defesa. Michael e deris fugiam dos golpes macabros e colocavam o escudo da guarda diante da arma astuta do anjo renegado.

 - Vocês estão gostando? - praguejou o demônio sorrindo com a fuga dos guerreiros – humanos estúpidos! Nunca vão obter o poder dos anjos.

            A dupla subia o vale como podia, até que Kiske observou uma brecha e cravou sua espada no pescoço de Belial.
 - Eu sou o guardião das sete chaves – disse Michael – trancarei esse mar em nome dos verdadeiros anjos.

            O renegado Grunhiu e desapareceu diante do vale, apenas manchas negras restaram.

            - Você conseguiu superar sua angustia e vingou seu povo – disse Andi – é um homem de honra.
            - Sem você eu seria apenas um guerreiro estúpido com sete chaves na mão.

  Michael lançou uma das chaves no lago e a água ficou pura, almas foram libertadas e gritaram com louvor os nomes dos anjos celestiais.

            A floresta não mudou seu aspecto sombrio e os guerreiros observaram em conjunto:
 - Ainda faltam seis…
COLABORADORES DO MÊS

Labels